"O xaxo já começou na porta. Nome social coisissíssima nenhuma. Era 'Simon' pra cá, 'Simon' pra lá, falavam alto, um cutucando o outro, apontando, rindo... a musa ia fazer a prova como, diz?"
A autora Amara Moira nos entrega uma prosa magmática, um acontecimento linguístico e cultural revolucionário na literatura brasileira contemporânea. Neca: romance em pajubá é escrito no dialeto pajubá, nascido na ditadura e com origem no iorubá e nagô, é amplamente utilizado pela comunidade LGBTQIA+, especialmente por travestis e mulheres trans. O romance mergulha na realidade da prostituição, da sobrevivência e do afeto nas margens. Uma travesti reencontra um antigo amor que está começando a trabalhar nas ruas. Enquanto entrelaça conselhos e lembranças, ela rememora suas aventuras como prostituta no Brasil e na Europa; fala sobre o que descobriu e conheceu sendo puta; recorda o que desejava ser e sonha com o que poderia ter sido. "Neca" é fundamental para quem quer entender que a língua portuguesa é viva e pertence a quem a fala. É um exercício de empatia e resistência linguística.

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