quarta-feira, 6 de maio de 2026

Sugestão de leitura: Infocracia

 

"A técnica digital da informação faz com que a comunicação vire vigilância. Quanto mais geramos dados, quanto mais intensivamente nos comunicamos, mais a vigilância fica eficiente."

O livro Infocracia: Digitalização e a Crise da Democracia, escrito pelo filósofo coreano-alemão Byung-Chul Han faz uma análise aguçada sobre como a enxurrada de informações está, ironicamente, destruindo a nossa liberdade e a própria democracia. 
O autor argumenta sobre como estamos nos tornando “dados” para alimentar algoritmos voluntariamente, um processo que ele define como psicopolítica digital. Ao cedermos nossas informações de forma contínua e inconsciente, permitimos que sistemas algorítmicos influenciem nossa subjetividade. 
Para Byung-Chul Han, a conectividade total não nos libertou; ela nos aprisionou em uma vigilância invisível onde a verdade morreu em troca de cliques e a política virou entretenimento dentro do mundo virtual. 
Este é um livro curto e essencial para entender porque a comunicação online tem se transformado em um campo de batalhas, onde perdemos a capacidade de escuta e de debate.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Sugestão de leitura: Perifobia, por Lilia Guerra




"Meu pai não quis me dar nem nome e o marido que minha mãe arranjou quando eu já tinha nascido disse que só casava se ela não levasse filho de outro nas costas. Ela topou. Tinha um medo terrível de morrer solteira."

Se você busca uma leitura que transborde humanidade, precisa conhecer o trabalho de Lilia Guerra. É construída uma polifonia onde as vozes das mulheres periféricas assumem o protagonismo com uma força implacável. Lilia Guerra conta que criou o neologismo que dá titulo a esse livro depois de perceber o quanto a periferia pode causar desconforto ou até repulsa, entretanto, são histórias de gente como a gente, que luta para continuar existindo em espaços que o asfalto muitas vezes ignora, onde o transporte, a educação, a segurança e a saúde parecem tão distantes quanto a vida dos patrões, a muitos quilômetros dali. Com uma linguagem autêntica, a autora mistura o cotidiano com a denúncia social sem perder o lirismo.

sexta-feira, 27 de março de 2026

Leituras obrigatórias para o vestibular de 2027

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul divulgou a lista das leituras obrigatórias para o próximo vestibular, abaixo segue os títulos das obras disponíveis na biblioteca:

Niketche: Uma história de poligamia - Paula Chiziane


Ideias para adiar o fim do mundo - Ailton Krenak



Mas em que mundo tu vive? - José Falero


O Avesso da Pele - Jeferson Tenório




Macunaíma: o herói sem nenhum caráter - Mário de Andrade



O Demônio Familiar - José de Alencar


Mrs. Dalloway - Virgínia Wolf


A teus pés - Ana Cristina César







sexta-feira, 13 de março de 2026

Sugestão de leitura: Para educar crianças feministas

 

"Ensine que 'papéis de gênero' são totalmente absurdos. Nunca lhe diga para fazer ou deixar de fazer alguma coisa porque você é menina."

Neste manifesto, a autora Chimamanda Ngozi Adichie nos entrega quinze sugestões de como criar filhos dentro de uma perspectiva feminista. Em meio a tantas noticias de feminicídio no Brasil, ensinar as crianças desde cedo sobre igualdade e respeito, desconstruir a ideia de que existem 'coisas de menino' e 'coisas de menina' é o primeiro passo para formar adultos que não aceitem a violência de gênero como algo natural. Partindo de sua experiência pessoal como mãe e filha, Chimamanda nos lembra como é moralmente urgente termos conversas honestas sobre novas maneiras de criar os filhos, reforçando que a educação feminista beneficia a todos, pois permite que meninos sejam sensíveis e meninas sejam audaciosas. 

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Sugestão de leitura: Neca

 

"O xaxo já começou na porta. Nome social coisissíssima nenhuma. Era 'Simon' pra cá, 'Simon' pra lá, falavam alto, um cutucando o outro, apontando, rindo... a musa ia fazer a prova como, diz?"

A autora Amara Moira nos entrega uma prosa magmática, um acontecimento linguístico e cultural revolucionário na literatura brasileira contemporânea. Neca: romance em pajubá é escrito no dialeto pajubá, nascido na ditadura e com origem no iorubá e nagô, é amplamente utilizado pela comunidade LGBTQIA+, especialmente por travestis e mulheres trans. O romance mergulha na realidade da prostituição, da sobrevivência e do afeto nas margens. Uma travesti reencontra um antigo amor que está começando a trabalhar nas ruas. Enquanto entrelaça conselhos e lembranças, ela rememora suas aventuras como prostituta no Brasil e na Europa; fala sobre o que descobriu e conheceu sendo puta; recorda o que desejava ser e sonha com o que poderia ter sido. "Neca" é fundamental para quem quer entender que a língua portuguesa é viva e pertence a quem a fala. É um exercício de empatia e resistência linguística.