Ambientado em Porto Alegre, este romance do ilustre autor de O Avesso da Pele nos transporta para os anos 2000, quando os primeiros alunos cotistas da começam a surgir nas universidades brasileiras. As cotas raciais reservam uma porcentagem das vagas em universidades públicas como forma de corrigir desigualdades sociais, promovendo inclusão social e representatividade a populações estigmatizadas. Nosso protagonista Joaquim, um jovem negro, órfão e periférico, vivencia o que é ser cotista dentro da universidade dominada pela elite branca. Sua presença na faculdade de letras geram duvidas entre os alunos se ele deveria estar inserido ali. Por ser cotista, Joaquim é obrigado a provar ser merecedor desse espaço. O autor joga luz sobre o discurso meritocrático, visto que mesmo a reparação histórica com as cotas não retira a desigualdade material e social que dificulta na permanência de Joaquim na faculdade. Não basta apenas a reserva da vaga, as universidades públicas devem estar prontas para receber e manter esse aluno nos estudos. É necessário olhar para o ponto de partida, compreender a importância das cotas raciais e sociais é um exercício de cidadania que humaniza o debate público e nos prepara para construir uma universidade que seja, de fato, plural, justa e representativa de toda a sociedade brasileira.
"A volta para casa foi um inferno (...). O calor era sobrenatural. Em pé e apertado, no ônibus da linha Jardim São Pedro, eu olhava para fora e quase podia ter certeza que o asfalto derretia."

Nenhum comentário:
Postar um comentário