"Meu pai não quis me dar nem nome e o marido que minha mãe arranjou quando eu já tinha nascido disse que só casava se ela não levasse filho de outro nas costas. Ela topou. Tinha um medo terrível de morrer solteira."
Se você busca uma leitura que transborde humanidade, precisa conhecer o trabalho de Lilia Guerra. É construída uma polifonia onde as vozes das mulheres periféricas assumem o protagonismo com uma força implacável. Lilia Guerra conta que criou o neologismo que dá titulo a esse livro depois de perceber o quanto a periferia pode causar desconforto ou até repulsa, entretanto, são histórias de gente como a gente, que luta para continuar existindo em espaços que o asfalto muitas vezes ignora, onde o transporte, a educação, a segurança e a saúde parecem tão distantes quanto a vida dos patrões, a muitos quilômetros dali. Com uma linguagem autêntica, a autora mistura o cotidiano com a denúncia social sem perder o lirismo.

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